O QUE É PSICOPEDAGOGIA?


A Psicopedagogia é um campo do conhecimento que se propõe a integrar, de modo coerente, conhecimentos e princípios de diferentes Ciências Humanas com a meta de adquirir uma ampla compreensão sobre os variados processos inerentes ao aprender humano.

Enquanto área de Conhecimento Multidisciplinar, interessa a Psicopedagogia compreender como ocorre os processos de aprendizagem e entender as possíveis dificuldades situadas neste movimento.

Para tal, faz uso da integração e síntese de vários campos do conhecimento, tais com a Psicologia, a Psicanálise, a Filosofia, a Psicologia Transpessoal, a Pedagogia, a Neurologia, entre outros.


quarta-feira, 13 de abril de 2011


Diante da dúvida que permeia a cabeça de muitos pais sobre a questão da lateralidade (predominância motora de um dos lados do corpo), quando vê o bebê segurando o brinquedo ora com uma mão, ora com outra, os especialistas garantem que essa é uma agilidade motora normal, já que nesta faixa etária a criança é ambidestra (habilidade com as duas mãos). 

A lateralidade é determinada por volta dos 6 aos 8 anos, no entanto antes dessa fase a criança manifesta sua escolha quanto ao uso de uma das mãos. 
As causas que originam a lateralidade da criança ainda não apresentam uma conclusão definitiva, porém alguns cientistas sustentam a idéia da determinação genética. Sendo assim, uma característica adquirida dos pais. Segundo estudo realizado no início dos anos 90, filhos de pais destros têm 9,5% de chance de ser canhotos. A possibilidade aumenta de 19,5%, quando o pai ou a mãe é canhoto. Em casos que o pai e a mãe são canhotos, o filho poderá apresentar 26% de chance de ser canhoto. 
A lateralidade é dominada pelo cérebro, sendo que os movimentos da parte esquerda do corpo são estimulados pelo hemisfério cerebral direito e vice-versa. 
Antigamente, as crianças canhotas eram vistas como anormais. Na escola recebiam castigos como “reguadas” e tinham o braço esquerdo amarrado pelos professores.
A lateralidade da criança não deve ser reprimida, uma vez que pode ocasionar prejuízos à criança, como afirmam os neurologistas. Um exemplo disso é a dificuldade em ser alfabetizada quando são canhotas e obrigadas a utilizar a mão direita. A leitura e a escrita também podem ser retardadas. Podem enfrentar problemas de orientação espacial, fazendo-as tropeçar e trombar nas coisas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

VOCÊ SABE O QUE É DISORTOGRAFIA?


A Disortografia caracteriza-se por troca de fonemas na escrita, junção (aglutinação) ou separação indevidas das palavras, confusão de sílabas, omissões de letras e inversões. Além disso, dificuldades em perceber as sinalizações gráficas como parágrafos, acentuação e pontuação. Devido à essas dificuldades o indivíduo prepara textos reduzidos e apresenta desinteresse para a escrita. A Disortografia não compromete o traçado ou a grafia. Um sujeito é disortográfico quando comete um grande número de erros. Até a 2ª série é comum que as crianças façam confusões ortográficas porque a relação com sons e palavras impressas ainda não estão dominadas por completo.
Causa
Considera-se que 90% das disortografias têm como causa um atraso de linguagem ou atraso global de desenvolvimento.
Tratamento
Depois de uma avaliação fonoaudiológica o profissional irá traçar um plano de tratamento para que a disortografia não se torne uma vilã na aprendizagem.
O fonoaudiólogo poderá desenvolver um atendimento preventivo antes mesmo do terceiro ano (antiga 2ª série).
Quanto antes o tratamento com um fonoaudiólogo melhor será o prognóstico!
Veja um caso clínico de um paciente com 9 anos, no 4º ano:
Exemplo de disortografia com aglutinações, omissões e separação indevida de palavra.
Após 3 meses de tratamento:
Escrita sem aglutinações e omissões.



SEU FILHO É DISGRÁFICO?



Disgrafia



Alteração da escrita que a afecta na forma ou no significado, sendo do tipo funcional. Perturbação na componente motora do acto de escrever, provocando compressão e cansaço muscular, que por sua vez são responsáveis por uma caligrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas.
De forma geral, a criança com disgrafia apresenta uma série de sinais ou manifestações secundárias motoras que acompanham a dificuldade no desenho das letras, e que por sua vez a determinam. Entre estes sinais encontram-se uma postura incorrecta, forma incorrecta de segurar o lápis ou a caneta, demasiada pressão ou pressão insuficiente no papel, ritmo da escrita muito lento ou excessivamente rápido.

Sinais indicadores:

  • Postura gráfica incorrecta.
  • Forma incorrecta de segurar o instrumento com que se escreve.
  • Deficiência da preensão e pressão.
  • Ritmo de escrita muito lento ou excessivamente rápido.
  • Letra excessivamente grande.
  • Inclinação.
  • Letras desligadas ou sobrepostas e ilegíveis.
  • Traços exageradamente grossos ou demasiadamente suaves.
  • Ligação entre as letras distorcida.

Problemas associados:

  • Biológicos.
  • Perturbação da lateralidade, do esquema corporal e das funções perceptivo-motoras.
  • Perturbação de eficiência psicomotora (motricidade débil; perturbações ligeiras do equilíbrio e da organização cinético-tónica; instabilidade).
  • Pedagógicas
    • Orientação deficiente e inflexível,
    • Orientação inadequada da mudança de letra de imprensa para letra manuscrita,
    • Ênfase excessiva na qualidade ou na rapidez da escrita,
    • Prática da escrita como actividade isolada das exigências gráficas e das restantes actividades discentes.
  • Pessoais
    • Imaturidade física,
    • Motora,
    • Inaptidão para a aprendizagem das destrezas motoras,
    • Pouca habilidade para pegar no lápis,
    • Adopção de posturas incorrectas,
    • Défices em aspectos do esquema corporal e da lateralidade.

O que pode fazer:

PROCURE UM PROFISSIONAL ESPECIALIZADO

  • Encorajar a expressão através de diferentes materiais (pinturas e lápis). Todas as tarefas que impliquem o uso das mãos e dos dedos são positivas.
  • Incitar a criança a recortar desenhos e figuras, a fazer colagens e picotar.
  • Promover situações em que a criança utilize a escrita (ex.: escrever pequenos recados, fazer convites e postais).
  • Fazer atividades como contornar figuras, pintar dentro de limites, ligar pontos, seguir um tracejado, etc.
  • Deixar a criança expressar-se livremente no papel, sem corrigir nem julgar os resultados.

    sexta-feira, 1 de abril de 2011

    O Assunto é Sexo. E é sério!

    Respeitar o próprio corpo e o dos outros, tratar com objetividade os assuntos íntimos e ter informação para planejar uma vida sexual saudável. Esses são os principais pontos do projeto institucional que NOVA ESCOLA preparou para turmas da pré-escola ao 9º ano. Segundo o psicólogo Antonio Carlos Egypto, fundador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), todas as escolas deveriam ter projetos específicos sobre o tema desde as classes de Educação Infantil: "Até o 5º ano, a principal tarefa do professor é observar as atitudes das crianças. Nem sempre as dúvidas são expressas em palavras. Mas, se um garoto abaixa a calça ou levanta a saia da coleguinha, é hora de conversar sobre as diferenças entre meninos e meninas." Organizar palestras isoladas não surte efeito. O que funciona memo é trabalhar os assuntos sem medo nem preconceito - afinal, algumas das questões precisam ser retomadas, com diferentes graus de aprofundamento conforme mudam as dúvidas e o nível de compreensão dos estudantes.


    Preparar a equipe e os pais

    O primeiro passo, segundo a obstetra Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, organização não-governamental especializada em formação de professores na área de Orientação Sexual, é o próprio professor refletir e relativizar as noções que tem sobre sexualidade. "Nessa área, educar não é passar opiniões nem valores para os alunos, mas discutir a realidade para que cada um possa escolher seu caminho de forma responsável e consciente." Por exemplo, de nada adianta discutir numa aula a importância de respeitar a opção sexual se, em outra, um professor faz piadas desrespeitosas para com os homossexuais. O ideal é a equipe toda intervir com um discurso semelhante.


    Satisfazer a curiosidade É Hora de se auto-conhecer

    Explorar as diferenças físicas entre meninos e meninas é uma forma de satisfazer a curiosidade das turmas de pré-escola. professoras das turmas de pré-escola usam jogos e livros para falar sobre o tema. O quebra-cabeça, por exemplo, ajuda a conhecer o próprio corpo (e também o dos colegas).


    Em debate, as questões de gênero

    Para fazer cartazes sobre os órgãos reprodutores, a em Fortaleza, pesquisaram e aprenderam as diferenças físicas entre homens e mulheres. Na sala de aula, eles discutiram também alguns aspectos comportamentais e emocionais relacionados aos dois sexos.


    Falar com responsabilidade Usando as palavras certas

    Por volta dos 9 anos, a criançada descobre o palavrão para se referir aos órgãos sexuais. Mas os termos são usados também para agredir ou fazer graça. Um jeito de amenizar essa questão é escrever os nomes corretos no quadro, a professora da EMEF e usá-los nas conversas com a garotada.


    Respeitar a privacidade Sexualidade com responsabilidade

    A melhor forma de evitar a gravidez indesejada é conhecer alguns métodos anticoncepcionais, como a camisinha. É o que em Recife, oferece aos jovens (acima). Além disso, as turmas de 7º e 8º anos produzem cartazes com textos e dados sobre doenças sexualmente transmissíveis, sobre as responsabilidades que vêm junto com a vida sexual e as conseqüências de ter um filho quando se é adolescente.

    SOBRE A INCLUSÃO - PARA REFLETIR!


    PODRE COCOZINHO!!!

    Era uma vez um cocô. Um cocozinho feio e fedidinho, jogado no pasto de uma fazenda. Coitado do cocô! Desde que veio ao mundo, ele vinha tentando conversar com alguém, fazer amigos, mas quem passava por ali não queria saber dele:
    - Hum! Que coisa fedida! - diziam as crianças.
    - Cuidado! Não encostem na sujeira! - avisavam os adultos.

    E o cocozinho, sozinho, passava o tempo cantando, triste:
    Sou um pobre cocozinho
    Tão feinho, fedidinho
    Eu não sirvo para nada
    Ninguém quer saber de mim...

    De vez em quando ele via uma criança e torcia para que ela chegasse
    perto dele, mas era sempre a mesma coisa:
    - Olha a porcaria! - repetiam todos.
    Não restava nada para o cocô fazer, a não ser cantar baixinho:

    Sou um pobre cocozinho
    Tão feinho, fedidinho...

    Um dia ele viu que um homem se aproximava;já imaginando o que ia acontecer, o cocozinho se encolheu."Mais um que vai me xingar", pensou. Mas... Oh! Surpresa! O homem foi chegando, abrindo um sorriso, e seu rosto se iluminou:
    - Mas que maravilha! Que belo cocô! Era exatamente disso que eu precisava.O cocô nem acreditava no que estava ouvindo. Maravilha, ele? Precisando?
    Aquele homem devia ser maluco!Pois aquele homem não era maluco, não. Era um jardineiro.
    E, usando uma pá, com todo o cuidado, ele levou o cocozinho para um lindo jardim.
    Ali, acomodou-o na terra, ao pé de uma roseira. E, depois de alguns dias, o cocozinho percebeu, feliz e orgulhoso, que, graças a sua força, a roseira tinha feito brotar uma magnífica rosa vermelha, bela e perfumada.





    Rosane Pamplona, autora deste conto, foi professora de Língua Portuguesa em várias escolas e universidades. Atualmente escreve livros, conta histórias e forma professores. 





    Um Professor

    O pequeno Carlinhos chegou em casa cedo e correu para o colo do vovô. Ele adorava as histórias dele. Sempre tinha animal no enredo e como ele não tinha vergonha de chorar, esperava ansioso o final para se emocionar. Hoje seu avô estava muito triste:
    -         o que houve vovô – indagou o neto – porque está com essa cara de tristeza?
    -         Desculpe carlinhos mas fiquei sabendo, ainda a pouco, que um amigo de infância faleceu.
    -         Poxa! Pela quantidade de lágrimas que tem no lenço o senhor devia gostar muito mesmo dele...
    O vovô enxugou mais uma vez o rosto. Suas rugas banhadas em emoção lhe trouxeram á mente lembranças daquele que o ajudara tanto.
    -         como era o nome dele vovô? Perguntou carlinhos.
    -         Eu não lembro, minha memória não ajuda mais, porém ainda sei qual era sua profissão...
    O netinho se aconchegou no colo quentinho e aguçou os ouvidos. Sentiu que alguma história viria.
    -         meu amigo era um professor!
    -         Um professor? Mas vovô, tu choras por um professor? Se ao menos fosse um médico, um artista de televisão, um jogador de futebol mas um professor?
    -         Não sabe o que está dizendo Carlinhos, só o tempo é capaz de dizer quem realmente são as pessoas importantes de nossas vidas. Um professor é alguém que me ensinou a engatinhar nas sílabas quando eu tropeçava nas letras, alguém que me cantou as rimas dos poetas, quando eu temia a prosa da vida, me levou por uma viagem mundo a fora quando eu era pobre e não conseguia sair do quintal de casa; um professor é alguém que me abriu os olhos para o mundo e me preparou para viver, alguém que me disse: estude, quando eu só pensava em brincar, e brincando eu aprendi; até hoje sinto falta de suas broncas, pois hoje estou velho e não tenho ninguém para me dar broncas; um professor é aquele amigo que me acompanhou pelas horas difíceis das provas, avisou  dos perigos do caminho e ainda com sua mão generosa e seu coração paciente plantou sementes de esperança e alegria dentro de mim, alguém que abençoou meus talentos quando disse: você pode! E acordou minhas vocações quando escreveu no quadro negro: Parabéns pelo seu esforço! Se eu pudesse voltar atrás, agradeceria tudo que ele fez por mim, na época eu não entendia que aquele homem simples, de fala mansa, gesto amigo, seria a pessoa mais importante da minha vida. Se hoje sou o que sou, devo a ele Carlinhos...
     O neto nem conseguia controlar a emoção. Chegava a soluçar. Realmente, ele como aluno devia ter no mínimo 10 professoras mas vivia tão distraído brincando, conversando, desenhando que nunca tinha parado para perceber como aquelas pessoas eram importantes para ele.
    -         vovô, o senhor poderia escrever isso tudo que falou para meu professor?! Mas quero que o senhor coloque o meu nome no final. É para ele pensar que fui eu mesmo que escrevi.
     O vovô deu um abraço bem forte no netinho e esboçou um sorriso.
    “Queira Deus as pessoas não precisem chegar a minha idade para reconhecer como são importante os professores! – pensou o vovô – pena hoje ele não estar mais vivo. Ainda teria muita coisa para dize-lo” concluiu.



    Por João Márcio (Bacharel em letras- Licenciado em latim, grego, inglês e literatura)
    Psicopedagogo clinico e institucional
    Especialista em Gestão da Saúde
    Palestrante e escritor, autor do livro Os Quatro Pilares da Educação
    Colunista do jornal de mão em mão e do
    site www.paralerepensar.com.br





    O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)

    Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno.








    À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.
    1. Agitação não é hiperatividade

    Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.

    2. Só o médico dá o diagnóstico

    Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.

    3. Nem todos precisam de remédio

    Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.

    4. O diálogo com a família é essencial

    Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat.

    5. O professor pode ajudar (e muito)

    Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.